May 18th, 2008

O Período Muromachi (室町時代) da História Japonesa, recebendo o seu nome com o estabelecimento da residência xogunal no distrito Muromachi da capital Quioto, por decisão do terceiro xógum Ashikaga, Ashikaga Yoshimitsu, foi um período de consideráveis feitos culturais que teve por base a retoma de contactos diplomáticos e comerciais com a corte Ming da China. Da mesma forma, foi um período de grande instabilidade política que culminaria na Guerra Onin, o conflito militar que viria a aniquilar a cidade de Quioto e abrir um século de conflito militar contínuo, conhecido nos dias de hoje como Período Sengoku (戦国時代)

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February 16th, 2008

Japonês

A língua japonesa é gira. Porquê?
Primeiro, nem os próprios japoneses sabem donde veio. Podes sentir-te ainda mais superior ao dizer a todos que vais aprender uma língua ainda cheia de mistérios.
Segundo, comparando com o Chinês e Coreano, a língua falada é muito mais fácil e simples de aprender. E isto suponho eu depois de ouvir a mesma frase nas três línguas e perguntando a amigos meus qual das três eles achariam mais fácil aprender. Muita pesquisa por detrás desta suposição, portanto.

Prosseguindo, então.

O Japonês é uma língua genial.

Tome-se por exemplo, o nome deste blogue, “Nippon Bunka”. 日本 (nippon) significa Japão, enquanto que 文化 (bunka) significa Cultura. Juntando-se estas duas palavras, tem-se 日本文化 ou Cultura Japonesa. Diz-se, portanto, que o Japonês é uma língua aglutinante.

Como a própria sociedade japonesa, a língua tem vários tipos de vocabulário e honoríficos para determinados ambientes ou pessoas. Por exemplo, vejamos o pronome pessoal “Eu”.
Um homem, em ambiente informal, poderá usar ou para se referir a si próprio. Uma mulher, na mesma situação, usará, geralmente, あたし para se referir a ela própria. Num ambiente formal, tanto homem como mulher normalmente usam ou , este último mais usado por mulheres.
Neste sentido, o Japonês é similar ao Alemão, que também tem dois tipos de vocabulário para ambientes formais ou informais.

O Japonês tem poucos sons, comparado com uma língua latina, como o português. Para diferenciar entre as palavras homófonas, os japoneses usam várias entoações. Por exemplo, かみ (kami) pode ser a leitura de 紙 (papel), 神 (deus) ou 髪 (cabelo). A única maneira de aprender eficientemente as várias entoações é somente com muita audição de excertos em Japonês onde demonstrem as diferenças entre as três palavras.

Para a próxima semana, escreverei sobre o Japonês escrito.
じゃあ、またね。

February 8th, 2008

Apesar de claramente vestidas com roupa de Inverno, é surpreendente ver que, mesmo a nevar e (suponho eu) com um frio de gelar, esta rapariga japonesa (e muitas outras, provavelmente) tem a coragem e sangue quente de trazer uma saia notavelmente reduzida.

Japonesa de Mini-Saia

Não é algo inédito, visto que em Portugal também não é algo muito raro de se ver, mas não deixa de ser curioso, mesmo assim.

Fonte: DannyChoo.com

January 28th, 2008

SAITAMA — A junior high school girl fought off an assailant in Tokorozawa, Saitama Prefecture, on Wednesday, police said Thursday. According to police, the girl, 15, was suddenly assaulted by a man in his 20-30s, with yellow-brown hair and wearing sunglasses, while she was on her way to a shop around 11:20 a.m.

The suspect suddenly grabbed her head from behind and tried to cut her hair with a knife. The girl, who holds a black belt in karate (1st dan), kicked him in the crotch. The attacker fled while the girl ran to alert police at a koban (police box).

Fonte: http://www.japantoday.com/jp/news/425978

January 28th, 2008

O Chá foi introduzido no Japão por volta do século nono, sendo importando da China e plantado a pequena escala. O culto do Chá no Japão conheceu enormes progressos com Eisai (mestre Zen e responsável pela cultura do chá subsequente), após o seu retorno da China, onde segundo as lendas, o chá era conhecido desde tempos imemoriais.

Durante os dois últimos períodos da Era Clássica japonesa (Nara e Heian), o Japão manteve contactos culturais alargados com a China das dinastias Sui e Tang através do envio de diversas embaixadas imperiais constituídas por estudantes (por norma, monges), cuja missão era aprender e adquirir a riquíssima cultura chinesa. As primeiras referências ao Chá na história japonesa têm lugar neste contexto, por volta do século nono em pleno período Heian. Os relatos históricos mais antigos contam-nos que as primeiras sementes foram trazidas para o país do sol nascente por volta de 805, pela mão do monge Saicho. O cultivo da planta do Chá em solo nipónico foi promovido através do Imperador Saga, que a transformou na bebida da corte imperial.

Cultivo do Chá Verde no Japão

As quantidades exportadas da China para o País do Sol Nascente eram mínimas. O Japão procurava imitar a cultura chinesa, mas foi forçado a moldar as suas próprias tradições e culturas devido ás más relações entre os dois países. Este factor foi relevante ao deixar a sua marca nas tradições japonesas, e o culto do chá não é excepção.
Fruto desta adaptação cultural foi o desenvolvimento do budismo japonês, que tomou uma aproximação diferente face ao budismo chinês. De facto, por volta do ano 1191, Eisai, o fundador do Budismo Zen, trouxe consigo da China sementes de Chá para o seu país de origem, sendo o primeiro a plantar o chá em território japonês com fins puramente religiosos. A qualidade do chá plantado no Japão sofreu uma melhora significativa face aos tipos de chá plantados anteriormente em solo nipónico, enquanto que a cultura ligada ao consumo do chá beneficiou da introdução do matcha, o chá verde em pó. Anteriormente à introdução do matcha, a bebida era preparada através da fervura do chá. Yosai ensinava assim as pessoas a moer as folhas até estas se transformarem em pó, adicionar água quente e mexer a mistura antes de beber, melhorando o sabor do chá.
Originalmente, o chá era usado entre os monges budistas como um auxiliar de meditação, impedindo os monges de cair no sono. Porém, por volta do século XIV, a procura pelo chá alargou-se à sociedade Samurai, e mesmo até ás comunidades rurais.

A Cerimónia do Chá (茶道 chado) , uma tradição profundamente enraízada no espírito cultural nipónico.

Com o fim do Período Kamakura, por volta de 1333, o Japão entrou num período de intensa guerra civil (este assunto será abordado numa edição posterior), e o culto do chá iria receber, mais uma vez, novas contribuições. Desta vez provenientes duma nova classe emergente, os genkokugo, que se interessavam pelo chá não devido ás suas qualidades medicinais ou estimulantes, mas sim enquanto bebida que poderia animar grandes serões. Assim surgiu o tocha, jogo que teve origem durante a dinastia chinesa Song. O jogo tinha como objectivo testar o paladar dos intervenientes, e a sua capacidade de distinguir entre vários tipos de chá. O tocha tornou-se rapidamente popular entre todas as classes da sociedade japonesa. A sua popularidade tomou contornos tais que acabou por ser banido em 1392 pelo primeiro shogun Muromachi, Ashikaga Takauji. Ao mesmo tempo, a actual Cerimónia do Chá (Chado) começou a evoluir, sendo esta a actividade que conhecemos actualmente, preservada intacta através dos séculos pelo forte sentido de tradição que é inerente ao espírito japonês.

January 27th, 2008

Bem-vindo ao blogue Nippon Bunka (日本文化). Nippon Bunka significa “Cultura Japonesa”, e no nosso contexto dá o mote para uma viagem exploratória até aos confins da cultura do país do sol nascente. Através da nossa jornada, exploraremos as várias facetas da cultura japonesa, desde a sua fascinante história e riquíssima cultura até à cultura mais popular e as coisas que, sendo banais aos olhos de um cidadão japonês são pequenas maravilhas exóticas aos olhos do ocidental.

O objectivo da nossa viagem é trazer o estranho e o maravilhoso de uma cultura que, apesar do seu contacto com a realidade portuguesa ter aumentado significativamente nos últimos anos, ainda se encontra revestida de mitos e preconceitos. É também nosso objectivo mostrar que a cultura japonesa é mais que os conceitos de anime, manga e sushi que frequentemente populam o imaginário do ocidental.

Trataremos de questões tão desconhecidas como a poesia da Era de Heian, a História Japonesa no seu todo, o curioso sincretismo religioso que sempre caracterizou o país do sol nascente, música - desde a erudita à popular, a rica tradição literária nipónica - ou seja, tudo aquilo que costumam ver em magazines que tratam do género mais os assuntos que são (infelizmente) normalmente tratados em contexto académico. No Nippon Bunka, a cultura clássica converge com a cultura recente/popular para dar forma a uma edição que se quer diversa e exploratória.

Iremos inaugurar algumas secções, entre elas uma secção dedicada à aprendizagem da língua nipónica e uma secção dedicada à divulgação de música japonesa - desde a música erudita ou tradicional até ás últimas tendências do j-pop e j-rock.

Aceitam-se (aliás, pedimos!) sugestões e procuramos membros para integrar a equipa editorial. Os requisitos são o conhecimento de uma ou mais áreas da cultura japonesa que permita a redacção de artigos interessantes, assim como maturidade para integrar uma equipa multidisciplinar que tem como ponto focal o interesse pelo Japão e a sua cultura em todas as suas expressões

Pela vossa companhia, arigatou gozaimasu (ありがとうございます).